quinta-feira, 9 de julho de 2015

"Eucaristia é o Pão repartido para a vida do mundo, diz Papa"

Na homilia desta quinta-feira, 9, o Papa Francisco afirma que o Sacramento da Comunhão faz as pessoas saírem do individualismo para viver juntas o seguimento de Jesus

Monique Coutinho
Da Redação

Nesta quinta-feira, 9, o Papa Francisco presidiu a sua primeira Missa em território boliviano. A Celebração Eucarística ocorreu na Praça do Cristo Redentor, em Santa Cruz de La Sierra, considerada a segunda maior cidade do país.

“O olhar de Jesus não aceita uma lógica nem uma perspectiva que sempre ‘corta o fio pelo ponto mais frágil, mais necessitado’”, afirma o Papa / Foto: Reprodução CTV

O Santo Padre inicia sua homilia observando as diversas pessoas que saem de suas regiões e povoados para celebrar a presença de Deus e ouvir a Sua Palavra. E diz que, durante a sua viagem pela América Latina, presenciou muitas mães carregando seus filhos nas costas.

Ao refletir sobre essa realidade, o Sumo Pontífice afirma que essas mulheres, além dos filhos, carregam em si a alegria e a esperança, bem como as tristezas, amarguras e memórias do povo. “Carregais sobre vós a memória do vosso povo. Porque os povos têm memória, uma memória que passa de geração em geração, uma memória em caminho”.

O Bispo de Roma ressalta que este caminho é cansativo e que, por vezes, faltam-nos forças para manter viva a esperança. “Quantas vezes vivemos situações que pretendem nos anestesiar a memória e, deste modo, debilita-se a esperança e, pouco a pouco, perdem-se os motivos de alegria. E começa a apoderar-se de nós uma tristeza que nos torna individualistas e que nos faz perder a memória de povo amado, de povo escolhido. E essa perda nos desagrega e faz com que nos fechemos aos outros, especialmente aos mais pobres.”

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Em razão desta fragilidade, o Santo Padre ressalta que é fácil ganhar espaço a lógica imposta pelo mundo atual, a qual procura transformar tudo em “objeto de troca e de consumo”, ou seja, em algo negociável.

“Uma lógica que pretende deixar espaço para poucos, descartando todos aqueles que não produzem, que não são considerados aptos ou dignos, porque, aparentemente, os números não batem certo. Jesus retoma a palava para nos dizer: ‘Não é necessário irem embora; dai-lhes vós mesmos de comer’ (cf. Lc 9, 13)”.

Sua Santidade salienta que o olhar de Jesus não aceita a lógica nem a perspectiva que sempre “corta o fio pelo ponto mais frágil, mais necessitado”. E afirma que a multiplicação dos pães e peixes é um exemplo do verdadeiro caminho. “Este é o caminho do milagre. Por certo, não é magia nem idolatria”.

Segundo Francisco, há três ações nesta verdade que precisam ser destacadas: “Tomar, bendizer e entregar”. “Tomar”. O ponto de partida é tomar muito a sério a vida dos seus. Fixa-os nos olhos e, nestes, conheça a sua vida e os seus sentimentos (…). “Bendizer”. Jesus toma em suas mãos o dom e bendiz o Pai que está nos céus. (…). “Entregar”. Em Jesus, não existe um tomar que não seja bênção, nem uma bênção que não seja entrega.”

O Pontífice destaca que a “Eucaristia é o Pão repartido para a vida do mundo”. E afirma que o Sacramento da Comunhão faz as pessoas saírem do individualismo para viver juntas o seguimento de Jesus.

Ao concluir sua homilia, o Sucessor de Pedro recorda que Jesus quer que todos participem desta vida de comunidade e que, por intermédio d’Ele, é preciso multiplicar cada vez mais na sociedade a cultura do encontro. “Uma vida memoriosa precisa dos outros, do intercâmbio, do encontro, duma solidariedade real que seja capaz de entrar na lógica do tomar, do bendizer e do entregar; na lógica do amor.”

Íntegra da homilia do Papa Francisco na Bolívia - 09/07/2015

Homilia
Viagem apostólica do Papa Francisco
Praça do Cristo Redentor, Santa Cruz de La Sierra, Bolívia
Quinta-feira, 9 de Julho de 2015

Viemos de lugares, regiões, povoados distintos, para celebrar a presença viva de Deus entre nós. Há horas que saímos de nossas casas e comunidades, para podermos estar juntos como Povo Santo de Deus. A cruz e a imagem da missão trazem-nos à memória todas as comunidades que nasceram sob o nome de Jesus nestas terras e das quais somos herdeiros.

No Evangelho que acabamos de ouvir, descrevia-se uma situação muito semelhante à que estamos a viver agora. Como aquelas quatro mil pessoas, também nós estamos desejosos de ouvir a Palavra de Jesus e receber a sua vida. Eles ontem e nós hoje, ao pé do Mestre, Pão de vida.

Nestes dias, pude ver muitas mães que carregavam seus filhos às costas, como aliás muitas de vós o fazem aqui. Carregando sobre si a vida, o futuro do seu povo. Carregando os motivos da sua alegria, as suas esperanças. Carregando a bênção da terra nos frutos. Carregando o trabalho feito com as suas mãos. Mãos, que moldaram o presente e tecerão os sonhos do amanhã. Mas carregando também sobre os seus ombros decepções, tristezas e amarguras, a injustiça que parece não ter fim e as cicatrizes duma justiça não realizada. Carregando sobre si mesmas a alegria e a dor duma terra. Carregais sobre vós a memória do vosso povo. Porque os povos têm memória, uma memória que passa de geração em geração, uma memória em caminho.

E não são poucas as vezes que experimentamos o cansaço deste caminho. Não são poucas as vezes que nos faltam as forças para manter viva a esperança. Quantas vezes vivemos situações que pretendem anestesiar-nos a memória e, deste modo, debilita-se a esperança e, pouco a pouco, perdem-se os motivos de alegria. E começa a apoderar-se de nós uma tristeza que nos torna individualistas, que nos faz perder a memória de povo amado, de povo escolhido. E esta perda desagrega-nos, faz com que nos fechemos aos outros, especialmente aos mais pobres.

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Pode suceder a nós o mesmo que aos discípulos de ontem, quando viram a quantidade de pessoas que estava lá. Pedem a Jesus que a mande embora, já que é impossível alimentar tanta gente. Perante muitas situações de fome no mundo, podemos dizer: «Os números não batem certo; não podemos resolver a conta». É impossível enfrentar estas situações; então o desespero acaba por apoderar-se do coração.

Num coração desesperado, é muito fácil ganhar espaço a lógica que pretende impor-se no mundo de hoje. Uma lógica que procura transformar tudo em objecto de troca, de consumo: vê tudo negociável. Uma lógica que pretende deixar espaço para muito poucos, descartando todos aqueles que não «produzem», que não são considerados aptos ou dignos porque, aparentemente, «os números não batem certo». Jesus retoma a palava para nos dizer: Não é necessário irem embora; dai-lhes vós mesmos de comer.

É um convite que hoje ressoa fortemente para nós: «Não é necessário mandar ninguém embora, basta de descartes; dai-lhes vós mesmos de comer». Jesus continua a dizer-nos nesta praça: Sim, basta de descartes; dai-lhes vós mesmos de comer. O olhar de Jesus não aceita uma lógica, uma perspectiva que sempre «corta o fio» pelo ponto mais frágil, mais necessitado. Tomando «o pedaço», Ele mesmo nos dá o exemplo, nos mostra o caminho. Uma atitude em três palavras: toma um pouco de pão e alguns peixes, bendiz a Deus por eles, divide-os e entrega para que os discípulos os partilhem com os outros. Este é o caminho do milagre. Por certo, não é magia nem idolatria. Por meio destas três acções, Jesus consegue transformar a lógica do descarte numa lógica de comunhão, de comunidade. Gostaria de destacar brevemente cada uma destas acções.

Toma. O ponto de partida é tomar muito a sério a vida dos seus. Fixa-os nos olhos e, nestes, conhece a sua vida, os seus sentimentos. Vê, naquele olhar, o que pulsa e o que deixou de pulsar na memória e no coração do seu povo. Considera-o e valoriza-o. Valoriza todo o bem que possam oferecer, todo o bem a partir do qual se possa construir. Mas não fala dos objectos, dos bens culturais ou das ideias; fala das pessoas. A riqueza maior duma sociedade mede-se na vida do seu povo, mede-se nos idosos que conseguem transmitir aos mais novos a sua sabedoria e a memória do seu povo. Jesus nunca ignora a dignidade de pessoa alguma, por maior que seja a aparência de não ter nada para oferecer ou partilhar.

Bendiz. Jesus toma em suas mãos o dom, e bendiz o Pai que está nos céus. Sabe que estes dons são um presente de Deus. Por isso, não os trata como «uma coisa qualquer», dado que toda esta vida é fruto do amor misericordioso. Ele reconhece-o. Vai além da simples aparência e, neste gesto de bendizer, de louvar, pede a seu Pai o dom do Espírito Santo. Aquele acto de bendizer tem esta dupla perspectiva: por um lado, agradecer e, por outro, transformar. É reconhecer que a vida é sempre um dom, um presente que, colocado nas mãos de Deus, adquire uma força de multiplicação. O nosso Pai não nos tira nada, multiplica tudo.

Entrega. Em Jesus, não existe um tomar que não seja bênção, nem uma bênção que não seja entrega. A bênção é sempre missão, tem um destino: repartir, partilhar o que se recebeu, uma vez que só na entrega, no com-partilhar é que as pessoas encontram a fonte da alegria e a experiência da salvação. Uma entrega que quer reconstruir a memória de povo santo, de povo convidado, chamado a ser portador da alegria da salvação. As mãos, que Jesus ergue para bendizer o Deus do céu, são as mesmas que distribuem o pão à multidão que tem fome. Podemos imaginar como os pães e os peixes iam passando de mão em mão até chegar aos mais afastados. Jesus consegue gerar uma corrente entre os seus: todos estavam compartilhando o seu, transformando-o em dom para os outros, e foi assim que comeram até ficarem saciados. E, incrivelmente, sobrou: recolheram sete cestos de sobras. Uma memória tomada, abençoada e entregue sempre sacia um povo.

A Eucaristia é «Pão repartido para a vida do mundo», como diz o lema do V Congresso Eucarístico que hoje inauguramos e vai realizar-se em Tarija. É sacramento de comunhão, que nos faz sair do individualismo para vivermos juntos o seguimento de Jesus e nos dá a certeza de que aquilo que temos e somos, se tomado, abençoado e entregue, pelo poder de Deus, pelo poder do seu amor, transforma-se em pão de vida para os outros.

A Igreja é uma comunidade memoriosa. Por isso, fiel ao mandato do Senhor, repete incansavelmente: «Fazei isto em memória de Mim» (Lc 22, 19). Geração após geração actualiza, nos distintos cantos da nossa terra, o mistério do Pão da Vida. No-lo faz presente e entrega. Jesus quer que participemos desta sua vida e, por nosso intermédio, se vá multiplicando na nossa sociedade. Não somos pessoas isoladas, separadas, mas o Povo da memória actualizada e sempre entregue.

Uma vida memoriosa precisa dos outros, do intercâmbio, do encontro, duma solidariedade real que seja capaz de entrar na lógica do tomar, bendizer e entregar; na lógica do amor.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

"Papa Francisco pede acomodações simples na Bolívia"

O Papa Francisco pediu que não lhe preparassem acomodações especiais durante a sua visita apostólica à Bolívia

Daniel Machado, 
Enviado especial a Santa Cruz de La Sierra

Nesta quarta-feira, 8, o Papa Francisco encerra sua visita ao Equador, e segue para a Bolívia, às 14h (horário de Brasília), com previsão de chegada às 17h15. O Pontífice desembarcará no Aeroporto Internacional de El Alto, em La Paz, capital do país.

Organizadora das acomodações pontifícias em Santa Cruz de La Sierra, Sandra Cerrado / Foto: Daniel Machado

De acordo com a organizadora das acomodações pontifícias em Santa Cruz de La Sierra, Sandra Cerrado, o Santo Padre pediu que não lhe preparassem acomodações especiais durante a sua visita apostólica à Bolívia. Segundo ela, o Vaticano pediu que as acomodações para comitiva papal fossem o mais simples possível, porque o Papa não se agrada com luxos.

“Ao total serão oito quartos para oito pessoas que acompanham o Papa, mas ele pediu que o seu quarto fosse igual a de todos os outros, então preparamos tudo muito bonito como se fosse para oito Papas”, disse Sandra

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Sandra Cerrado revelou que a cama de Francisco foi feita no Brasil com um material desenvolvido pela NASA, especialmente para ele. A empresa fez questão de gravar o nome “Papa Francisco” no colchão. “Tudo o que foi feito para o Papa também foi concedido para os que o acompanham”, relatou.

“O Papa quer beber, quer comer nas mesmas condições das outras pessoas, não quis nada de especial para ele. É um homem muito simples, dispensou mordomos, disse que todos iam fazer as mesmas coisas que se fazem sempre. Com estas coisas o Papa nos surpreende, mais uma vez, com a sua simplicidade”, testemunhou Sandra.

Papa na Bolívia

O Papa Francisco é o segundo Pontífice a pisar em terras bolivianas. Em 1986, João Paulo II visitou a Bolívia em uma visita de 6 dias. Em terras bolivianas Francisco visitará primeiro a capital La Paz, que fica a 3600 metro acima do nível do mar.

Em La Paz visitará o presidente Evo Morales, e terá um encontro com religiosos e autoridades civis na catedral de La Paz. Às 20hs (local) embarca de avião para Santa Cruz de La Sierra, onde ficará até o dia 10, quando partirá para o Paraguai.

terça-feira, 7 de julho de 2015

"Família é uma riqueza social insubstituível, diz Papa no Equador""

Na primeira Missa celebrada no Equador, o Papa Francisco destacou a família como uma riqueza social insubstituível

André Cunha
Da redação

O Equador vive dias especiais com a presença do Papa Francisco em suas terras. Esta segunda-feira, 6, foi o dia da primeira Missa presidida pelo Pontífice em solo equatoriano. Especificamente, a celebração aconteceu no Parque Samanes, em Guayaquil, maior cidade do Equador e principal porto do país.

Na homilia, o Papa Francisco destacou a família como a grande “riqueza social, que outras instituições não podem substituir”. O Santo Padre disse que ela deve ser ajudada e reforçada “para não perder jamais o justo sentido dos serviços que a sociedade presta aos cidadãos”.

“Na família, a fé mistura-se com o leite materno: experimentando o amor dos pais, sente-se envolvido pelo amor de Deus”, disse o Papa na homilia / Foto: Reprodução CTV

Em outubro, a Igreja celebrará o Sínodo Ordinário dedicado às famílias. O objetivo, segundo o Pontífice, é amadurecer um verdadeiro discernimento espiritual e encontrar soluções concretas para as inúmeras dificuldades e importantes desafios que a família enfrenta nos dias atuais.

O Bispo de Roma pediu que os fiéis intensifiquem as orações por este evento para que, mesmo aquilo que pareça impuro, escandalize ou espante, “Deus – fazendo-o passar pela sua ‘hora’ – possa milagrosamente transformá-lo”.

A reflexão sobre a família, na Missa desta segunda-feira, 6, foi motivada pelo Evangelho de São João, que narra o episódio das Bodas de Caná. No contexto, Maria leva a Jesus o problema da falta de vinho. Ele, segundo os relatos bíblicos, realiza o milagre e transforma a água em vinho.

Para o Papa, Maria ensina o exercício de colocar-se sempre à disposição de Jesus, que veio para servir, não para ser servido. “O serviço é o critério do verdadeiro amor. E isso aprende-se especialmente na família, onde nos tornamos servidores uns dos outros por amor. Dentro da família, ninguém é descartado”.

“Na família, os milagres fazem-se com o que há, com o que somos, com aquilo que a pessoa tem à mão. Muitas vezes, não é o ideal, não é o que sonhamos nem o que ‘deveria ser’. O vinho novo das bodas de Caná nasce das talhas de purificação, isto é, do lugar onde todos tinham deixado o seu pecado”, considerou o Papa.

O Papa concluiu a homilia, afirmando que o melhor dos “vinhos” ainda não veio para cada pessoa que aposta no amor. “E ainda não veio, mesmo que todas as variáveis e estatísticas digam o contrário; o melhor vinho ainda não chegou para aqueles que hoje veem desmoronar-se tudo”.

Francisco encerrou a homilia pedindo: “Como Maria nos convida, façamos ‘o que Ele nos disser’ e agradeçamos por, neste nosso tempo e nossa hora, o vinho novo, o melhor, nos fazer recuperar a alegria de ser família”.

Após a Missa, o Santo Padre almoça com a Comunidade dos Jesuítas e com a comitiva papal. Em seguida, retorna à Quito onde, ainda nesta segunda-feira, 6, visita o Presidente da República e a catedral da cidade.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

"Papa Francisco: o desejo do encontro com as periferias"

Durante sua viagem a América Latina, o Pontífice visitará, entre outros lugares, uma prisão de menores e um hospital

Da redação, com Rádio Vaticano

O Papa Francisco iniciou neste domingo a sua segunda viagem à América Latina, 9° Viagem internacional de seu pontificado que leva ao Equador, depois Bolívia e Paraguai.

Na bagagem do Santo Padre, o desejo do encontro com as “periferias”, marco de seu Pontificado. A visita ao continente era aguardada desde 2013, quando o argentino Bergoglio foi eleito à Cátedra de Pedro e esteve no Brasil para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em 2013.

Apesar da expectativa de uma ida à Argentina, sua terra natal, o roteiro de Francisco inclui apenas nações que estão longe dos centros de poder da geopolítica internacional.

“Pela primeira vez a visita será feita a três países, não os maiores e os primeiros na geopolítica, seguindo a lógica das periferias querida pelo Pontífice. A história desses três países, feita de conflitos e ditaduras, será um elemento importante para entender as mensagens que o Papa irá proferir”, disse o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, durante encontro com os jornalistas na semana passada.

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Equador, Bolívia e Paraguai não são destinos muito prestigiados, mas o objetivo do Papa não é fazer uma missão diplomática. Francisco já conhece esses países desde a época em que era sacerdote e depois arcebispo de Buenos Aires e poderá fazer discursos mais livres e contundentes em sua língua materna, o espanhol.

Neste domingo o Papa Francisco iniciou a sua viagem “maratona”, como muitos jornalistas a definiram ao Equador, Bolívia e Paraguai, até 13 de julho, quando são esperadas milhões de pessoas. O Pontífice visitará, entre outros lugares, uma prisão de menores e um hospital; 22 os discursos programados.

A chegada ao Aeroporto Internacional de Quito, neste domingo, 5, à tarde, foi o cenário do seu primeiro discurso nesta viagem. Depois, deixando o aeroporto seguiu para a Nunciatura Apóstólica em Quito, distante 40 Km do aeroporto, e a bordo do papamóvel nos últimos 8 Km, o primeiro real encontro com o povo nas ruas da capital equatoriana, que recebeu o Sucessor de Pedro em festa.

Nesta segunda-feira, 6, Francisco deixa na parte da manhã Quito em direção de Guayaquil, a maior cidade do Equador, no litoral do país, onde vai presidir à Missa diante do Santuário da Divina Misericórdia, com uma multidão estimada em um milhão de pessoas, antes do almoço no ‘Colégio Javier’, dos jesuítas. Estarão presentes delegações de fiéis das Dioceses do Norte do Peru e de Lima.

De volta a Quito no final da tarde, Francisco realizará a visita de cortesia ao Presidente da República do Equador, Rafael Correa e visitará à Catedral de Quito.

"Crianças e jovens cantam para o Papa na Catedral de Quito"

 Na visita à catedral metropolitana, Francisco será recebido por um coral de crianças e jovens

Jéssica Marçal
Enviada especial a Quito

Catedral de Quito, localizada na Praça Grande, região central da capital equatoriana / Foto: Jéssica Marçal

Em sua visita ao Equador, o Papa Francisco visita nesta segunda-feira, 6, a catedral de Quito, localizada na Praça Grande, região central da capital equatoriana.

Será um momento breve, logo após a visita de cortesia ao presidente Rafael Corrêa. Para receber o Papa, o coro da catedral preparou uma apresentação musical, reunindo, em grande parte, crianças e jovens.

Uma das diretoras do coral, Miriam Chicaiza, explicou que o grupo já desenvolve um trabalho de nove anos, de forma que não foi necessário sobrecarregar as crianças com muitos ensaios. Mas mesmo assim a preparação para a visita do Papa começou há quatro meses. Cerca de 60 crianças vão se apresentar para Francisco.

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“Para mim é algo maravilhoso porque, como católica, é a autoridade máxima da minha igreja e estou muito emocionada de que venha aqui e nos deixe sua mensagem que vai ser muito boa nesses momentos políticos por que está passando o país”.

Satisfação tão grande é para Gabriela Lararuiz que verá seu filho Mateo Peres, de sete anos, cantando para o Papa. “Sinto-me muito feliz de ter a graça que Deus me deu de que meu filho seja uma dessas crianças”.

Ela contou que pôde ver a dedicação do seu filho a cada ensaio. Às vezes foi preciso levantar às 4h, mas, mesmo sendo pequeno, Mateo fez isso com disposição. “Eu digo ‘amanhã não precisa ir’ e ele diz ‘não, eu tenho que ir; vou cantar para o Papa'”, contou a mãe.

Um dos últimos ensaios do coral na catedral foi na sexta-feira, 3. A visita do Papa nesta segunda-feira está marcada para 20h10 (horário local, 22h10 no horário de Brasília). Francisco fará uma saudação aos fiéis.

"Papa é recebido no Equador e inicia viagem apostólica"

Em solo equatoriano, o Papa Francisco inicia sua visita de nove dias à América Latina

André Cunha
Da redação

Pela segunda vez em seu pontificado, o Papa Francisco visita a América Latina, e começou a sua peregrinação neste domingo, 5. O Pontífice foi recebido no Aeroporto Internacional “Mariscal Sucre” de Quito, no Equador, pelo presidente do país, Rafael Correa, por membros da Conferência Episcopal Equatoriana, por outras autoridades e fiéis.

Presidente do Equador, Rafael Correa, recebe o Papa Francisco / Foto: Reprodução CTV

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Com um abraço cordial, o presidente acolheu o Santo Padre que, em seguida, cumprimentou algumas crianças. Francisco foi homenageado pelo canto do coral acompanhado por uma orquestra sinfônica, que também executou os hinos do Vaticano e do Equador.

O presidente Rafael Correa, destacou em seu discurso a postura do país em defesa da vida, da família e do meio ambiente. Ele assegurou que a constituição do Equador será a primeira no mundo a outorgar o cuidado com a natureza.

Correa ainda lembrou em tom bem humorado as palavras da presidente Dilma Rousseff quando Francisco esteve no Brasil: “O Papa é argentino, mas Deus é brasileiro. Sim, Deus pode ser brasileiro, mas o paraíso é aqui. Este país é um paraíso, Santo Padre!”, disse.

O Papa, por sua vez, agradeceu ao presidente, que por diversas vezes citou discursos de Francisco, bem como, sua Encíclica Laudato Si, mostrando, segundo o ele mesmo, “consonância” com seu pensamento.

“Nunca percais a capacidade de dar graças a Deus pelo que Ele faz por vós”, pede o Papa aos equatorianos / Foto: Reprodução CTV

As primeiras palavras do Santo Padre no Equador também agradeceram à acolhida recebida neste domingo e a Deus por tê-lo permitido retornar ao continente. No entanto, o Papa não deixou de, já num primeiro momento, lembrar os problemas sociais do Equador e da América Latina.

“Prestamos especial atenção aos irmãos mais frágeis e às minorias mais vulneráveis que é a dívida de toda a América Latina. Para isso, senhor presidente, poderás contar sempre com o empenho e a colaboração da Igreja para servir esse povo equatoriano”, disse.


O breve discurso foi encerrado com uma motivação para a gratidão a Deus e exortação à solidariedade. “Nunca percais a capacidade de dar graças a Deus pelo que Ele faz por vós. A capacidade de proteger o humilde e o simples, de cuidar das crianças e dos idosos. Que o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria derrame sobre vós a Sua graça e a Sua bênção”.

Após a cerimônia de boas vindas, o Papa Francisco participou de um encontro protocolar reservado com o presidente do Equador. Em seguida, dirigiu-se com a comitiva papal para a nunciatura apostólica onde passará a noite.

Nesta segunda-feira, 6, o Pontífice irá para Guayaquil onde, entre outras atividades, visitará o Santuário da Divina Misericórdia. Veja a programação.