sábado, 12 de dezembro de 2015

Papa Francisco preside XII Reunião do Conselho dos Cardeais


No encontro presidido pelo Papa Francisco, foi reconsiderada a criação de uma nova Congregação dedicada à “Caridade, Justiça e Paz”

Da redação, com Rádio Vaticano

Neste sábado, 12, o Papa Francisco presidiu no Vaticano, à 12ª Reunião dos nove Cardeais encarregados da Reforma da Cúria Romana. No entanto, na última reunião o Conselho dos Cardeais apresentou ao Papa uma proposta para a atuação do projeto para uma nova Congregação, chamada provisoriamente “Leigos, Família e Vida”.

Em relação à proposta da nova Congregação, foi notificado o arcebispo emérito de Milão, encarregado pelo Pontífice para um aprofundamento sobre a sua factibilidade, cardeal Dionigi Tettamanzi.

Além do mais, foi reconsiderada a criação de uma nova Congregação dedicada à “Caridade, Justiça e Paz”. Falou-se também sobre os procedimentos para a nomeação de novos Bispos, “especialmente sobre as qualidades e os requisitos dos candidatos”, um tema que deverá ser aprofundado e desenvolvido.

Durante a Reunião, os Cardeais ouviram o Prefeito da Secretaria para a Comunicação, Monsenhor Dario Eduardo Viganò, que falou sobre os primeiros passos dados, entre os quais a constituição de um grupo de trabalho para a elaboração dos Estatutos da Secretaria, composta por representantes de diversas instituições competentes na matéria, que já iniciou suas atividades.

Os Estatutos definirão a estrutura do organismo atuante, prestará particular atenção na avaliação dos aspectos jurídicos e administrativos das atividades de Comunicação da Santa Sé. Sucessivamente, serão elaborados e emanados os devidos regulamentos.

Os Cardeais Conselheiros expressaram satisfação pelo andamento das Reformas da Cúria Romana desejadas pelo Papa Francisco.

Países em guerra abrem Porta Santa no Jubileu da Misericórdia


Fiéis na Síria, Líbia e Iraque também poderão passar pela Porta Santa nesses países que sofrem com a guerra

Rádio Vaticano

A Porta Santa do Jubileu da Misericórdia será aberta também em países que estão sofrendo com a guerra, como a Síria, a Líbia, o Iraque, o Iêmen, e em outros onde as feridas da guerra estão ainda abertas, como Tunísia, Gaza, Sarajevo, Ucrânia e Crimeia.

“O Ano Santo da Misericórdia chega antes nesta terra. Uma terra que sofre há muitos anos com a guerra e o ódio, a incompreensão, a falta de paz. Mas nesta terra sofredora, também estão todos os países que estão vivendo a cruz da guerra. Todos pedimos paz, misericórdia, reconciliação, perdão, amor. Para Bangui, para toda a República Centro-Africana, para o mundo inteiro, para os países que sofrem com a guerra, pedimos a paz!”.

Estas palavras do Papa na abertura da Porta Santa em Bangui, na República Centro-Africana, durante sua recente viagem apostólica à África, chamaram a atenção da opinião pública mundial sobre os países que vivem a guerra.

Também nestes países serão abertas as Portas da Misericórdia. Gestos e ações que atestam a presença e a vida de tantas pequenas comunidades cristãs, com frequência perseguidas, em lugares onde a paz e a convivência são apenas uma miragem, como descreve a agência Sir.
Síria

Na tão maltratada Síria, em 13 de dezembro, em concomitância com a abertura da Porta Santa da Basílica de São João de Latrão, em Roma, serão abertas três Portas da Misericórdia, a começar pela cidade mártir de Aleppo, há três anos no centro dos bombardeios e batalhas entre o exército do presidente Assad, os rebeldes e os jihadistas do auto-proclamado Estado Islâmico.

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A Porta Santa de Aleppo está na paróquia de São Francisco, no bairro de Aziziyeh, atingida por uma granada no final de outubro. Outras duas portas serão abertas no país: uma em Damasco e outra em Latakia.
Iraque

A comunidade católica iraquiana viverá como deslocada interna o Jubileu da Misericórdia. Conquistada a cidade de Mosul, onde os terroristas do Estado Islâmico cancelaram a milenária presença dos cristãos, a minoria cristã conta hoje com menos de meio milhão de fiéis em comparação com os 1,5 milhão presentes antes da invasão dos EUA, em 2003.

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Muitos dos cristãos que não escaparam estão concentrados nos entornos de Irbil, capital do Curdistão iraquiano, região mais segura, principalmente no bairro cristão de Ankawa. É lá que, em 13 de dezembro, o arcebispo caldeu Dom Bashar Warda abrirá a Porta Santa na Catedral de São José. Trabalha-se ainda para abrir uma “barraca santa” nos acampamentos dos desabrigados e deslocados. Uma pequena Porta Santa será aberta também no vilarejo de Enishke, nas montanhas entre Zakho e Dohuk, no extremo norte do Curdistão iraquiano.

Em Bagdá, a Porta Santa será aberta em 19 de dezembro pelo patriarca Dom Mar Sako, na primeira catedral do Iraque dedicada a Nossa Senhora das Dores.
Líbia

A Porta Santa neste país do norte da África, dividido por conflitos, será aberta nesta sexta-feira, 11, na catedral de São Francisco, em Trípoli, pelo vigário coadjutor, padre George Bugeja. No início da noite está prevista uma celebração ecumênica com os representantes das diversas denominações cristãs para rezar pela paz e pela reconciliação.

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A situação de violência e tensão na Líbia obrigou muitos trabalhadores estrangeiros, como os filipinos, que compõem a comunidade cristã local, a abandonar o país. Em Benghazi, segunda cidade do país, devido à delicada situação, não haverá celebração.
Ucrânia e Crimeia

Nos territórios ainda não pacificados de Donbass, onde o conflito provocou a morte de mais de 1 mil civis e o deslocamento de mais de 700 mil pessoas, a Porta Santa do Jubileu será aberta na Catedral de Kharkiv e na co-catedral de Zaporizhya, em 13 de dezembro. Não haverá Porta Santa nas autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e de Lugansk.

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Em 13 de dezembro, na Crimeia, região ucraniana anexada à Rússia após um contestado referendo em 2014, será aberta a Porta Santa na catedral de Odessa, na co-catedral de Simferopoli e nas igrejas de Bilgorod-Dniestrovski, Balta, Kirovograd, Nikolaiv, Kherson.
Tunísia

A Porta Santa será aberta em Túnis em 13 de dezembro, capital que continua em alerta após os recentes atentados. Trata-se daquela da catedral de São Vicente de Paoli, mas não a porta principal, e sim uma secundária nos fundos do prédio – para evitar que a celebração possa ser vista como uma forma de proselitismo, explica o arcebispo Dom Ilario Antoniazzi.
Palestina

Em Gaza, a Porta Santa será aberta no dia 20 de dezembro na pequena paróquia da Sagrada Família pelo patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal. O padre brasileiro Mário da Silva guiará os cerca de 200 fiéis na travessia da Porta Santa.
Bósnia-Herzegóvina

Em Sarajevo, que ainda traz sinais visíveis da guerra dos anos 90, será o cardeal Vinko Puljić a abrir, em 13 de dezembro, a Porta Santa na Catedral do Sagrado Coração, a poucos metros do bairro muçulmano, da catedral ortodoxa e da sinagoga.

Peregrinos a caminho da Porta Santa movimentam maior igreja do mundo


Após início do Ano Santo, Vaticano não para de receber peregrinos que buscam atravessar a Porta Santa e fazer essa experiência de fé

Catarina Jatobá
Enviada especial a Roma

Grupo com a cruz da peregrinação rumo à Porta Santa da Basílica de São Pedro / Foto: Catarina Jatobá – CN Roma

A Praça de São Pedro, no Vaticano, parece respirar ares diferentes. Desde a histórica abertura do Ano Jubilar, no último dia 8, grupos de peregrinos não param de chegar. Alguns seguem o roteiro com a cruz do Jubileu.

Ao passarem pela Porta Santa aberta pelo Papa Francisco, muitos se emocionam, tocam, beijam. Sinais externos que revelam o desejo da alma de tocar a Misericórdia de Deus.
Dentro da maior igreja do cristianismo no mundo, os fiéis e peregrinos se encantam com a beleza e as preciosidades da basílica, que revelam a grandeza de um Deus acolhedor.

A equipe do Portal Canção Nova encontrou um grupo de 53 brasileiros que foram a Roma como parte das comemorações dos 25 anos da Obra dos Filhos da Ressurreição.

“Está sendo maravilhoso. Já chorei muito, me emocionei muito. Pra nós católicos, renova a nossa fé. Todo mundo tem que vir aqui”, conta a professora de artes Ane Beatriz Reis, de Olinda.

A carioca Cristina Marlene Oliveira, que é agente de viagens, revela a emoção de estar em Roma na abertura do Jubileu. “Eu estou encantada com o que aconteceu aqui. Eu nunca tinha feito uma peregrinação tão bonita, tão significativa quanto esta”.

“Foi um momento de muita emoção. De renovação da fé, em que a gente pode trazer no coração não só os familiares, mas todos aqueles que não puderam estar aqui”, conta a professora mineira Denise Nora.

Para o engenheiro José Artur Fagundes Nora, de Belo Horizonte, um dos principais dons recebidos de Deus é o perdão. “A confiança em tudo o que Deus pode gerar neste ano para a gente é cobrir as nossas misérias com amor. E o Santo Padre tem nos ensinado, com o seu jeito de ser, sua humildade e acolhimento, que o perdão faz com que nós coloquemos as pessoas acima das coisas”.

Da esquerda para a direita: Cristina Oliveira, Denise Nora e Artur Fagundes Nora / Foto: Catarina Jatobá
Peregrinação

Como foi o pedido do Papa Francisco, o Ano da Misericórdia deve lembrar que o fiéis estão em caminho, e por isso, antes de passar pela Porta Santa, eles são convidados a realizar uma peregrinação. O vice-presidente da Opera Romana Pellegrinaggi, órgão responsável pelas peregrinações em Roma, Dom Libério Andreata, enfatizou a importância que este caminho de fé seja feito antes de travessar a Porta Santa.

“Se o peregrino apenas passar pela Porta Santa e depois voltar para casa, corre o risco de não fazer uma experiência de descoberta, de conversão, porque caminhar aqui em Roma é redescobrir a história da própria fé. E tendo feito este percurso, ao chegar em casa, ele terá lembranças reais, não de momentos, mas de experiências com Deus”.

Para realizar a peregrinação às basílicas de Roma é preciso fazer uma inscrição prévia no site oficial do jubileu (im.va), para retirar o ingresso, que é totalmente gratuito.
Como está sendo feito nas principais Igrejas de peregrinação em Roma, um esquema de segurança foi montado na entrada da Basílica de São Pedro, com revista e detector de metais.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Papa explica o significado do Ano da Misericórdia


Misericórdia foi o foco da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, um dia depois da abertura do Ano Santo dedicado ao tema

Jéssica Marçal
Da Redação

Papa quer que, no Ano Santo, todos possam fazer experiência da misericórdia de Deus / Foto: Reprodução CTV

A Igreja católica já vive o Ano da Misericórdia. Nesta quarta-feira, 9, no Vaticano, o tradicional encontro do Papa com os fiéis teve como foco essa temática: na catequese, Papa Francisco explicou o significado desse Ano Santo, destacando o chamado urgente a viver a misericórdia no mundo de hoje.

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.: Íntegra da catequese

“Não digo: é bom para a Igreja este momento extraordinário…não, não! Digo: a Igreja precisa desse momento extraordinário”, disse o Papa referindo-se ao Ano da Misericórdia, que começou nesta terça-feira, 8, com a abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro.

Francisco enfatizou o sentido desse Ano Santo: um tempo favorável para contemplar a misericórdia divina que ultrapassa qualquer limite humano. Mas esse período só será realmente favorável se as pessoas escolherem o que agrada a Deus: perdoar seus filhos, usar de misericórdia para com eles para que possam ser misericordiosos para com os outros.

Seja na sociedade, no trabalho e até mesmo na família, a humanidade precisa urgentemente de misericórdia, disse o Santo Padre. Alguns podem até dizer que há problemas mais urgentes para serem resolvidos e Francisco reconhece isso, mas lembrou que na raiz da falta de misericórdia está o amor próprio.

“No mundo, isso toma a forma da busca exclusiva dos próprios interesses, dos prazeres e honras unidos à vontade de acumular riquezas, enquanto na vida dos cristãos se disfarça muitas vezes de hipocrisia e mundanidade. Todas essas coisas são contrárias à misericórdia”.

Por isso mesmo, Francisco destacou a necessidade das pessoas reconhecerem seus pecados para experimentarem a misericórdia de Deus. “É necessário reconhecer ser pecador para reforçar em nós a certeza da misericórdia divina”. E ele ensinou uma oração simples para que se faça isso diariamente: “Senhor, eu sou um pecador, eu sou uma pecadora, venha com a sua misericórdia”.

O Santo Padre disse que seu desejo nesse Ano Santo é que cada um faça experiência da misericórdia divina. Aos olhos do homem, disse, pode até parecer ingênuo pensar que isso possa mudar o mundo, mas aquilo que é fraqueza de Deus é mais forte que o homem.

No Vaticano, Espetáculo de luzes exalta beleza da criação


A fachada da Basílica de São Pedro foi a tela para a exibição de fotos e vídeos que mostravam a beleza da criação

Catarina Jatobá
Enviada especial a Roma

A cúpula e a fachada da Basílica de São Pedro, no Vaticano, ganharam destaque na noite desta terça-feira, 8, com a apresentação de luzes. “Fiat lux, iluminar a nossa casa comum” foi o tema da projeção de fotos e vídeos da fauna, flora e dos homens, mostrando a beleza da criação.

No evento histórico e inédito, imagens do mundo natural foram mostradas em um trabalho contemporâneo de arte pública, com o intuito de educar e inspirar mudanças na relação do homem com a natureza, em virtude da crise climática que atravessa gerações.





Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova



Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova



Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova



Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova



Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova



Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova



Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova



Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova



Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova



Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova

Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova

Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova

Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova

Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova

Espetáculo de Luzes no Vaticano mostra beleza da criação / Fotos: Catarina Jatobá – Canção Nova
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Durante a exibição, os celulares e máquinas fotográficas registravam o momento, e o público, que acompanhava atento, reagia às belas imagens com aplausos. Com a praça de São Pedro repleta, a nossa equipe encontrou alguns brasileiros, como o piauiense Domingos Barbosa Filho.

Domingos Barbosa Filho apreciou a apresentação de fotos e vídeos / Foto: Catarina Jatobá – Canção Nova

“Deus fez tudo muito bom e muito bonito, mas a ação do homem destrói essa criação. Isso macula o que foi criado, a obra de Deus, a beleza de Deus, que o home estraga com o pecado. E esse ano da misericórdia é também um convite à conversão, a recriar a ação criadora de Deus”, afirmou.

A apresentação é inspirada na Encíclica “Laudato Si” (Louvado sejas) do Papa Francisco, documento que adverte os católicos sobre a importância dos cuidados com a natureza. A projeção também foi programada para coincidir com o COP21, Conferência sobre o clima que acontece em Paris.

No espetáculo de luzes, as obras de alguns fotógrafos e cinegrafistas incluindo o brasileiro Sebastião Salgado (Genesis) e também Joel Sartore (National Geographic Photo Ark), Yann Arthus Bertrand (Human), David Doubilet, Ron Fricke e Mark Magidson (Samsara), Howard Hall, Shawn Heinrichs, Greg Huglin, Chris Jordan, Steve McCurry, Paul Nicklen e Louie Schwartzberg.

Ano da Misericórdia: relatos de quem passou pela Porta Santa


Peregrinos contam como foi a experiência de passar pela Porta Santa na Basílica de São Pedro na abertura do Ano da Misericórdia

Catarina Jatobá
Enviada especial a Roma

A imagem do Papa Francisco abrindo as portas da Basílica de São Pedro, no Vaticano, certamente marcou a abertura do Ano da Misericórdia. O momento pôde ser acompanhado em todo o mundo pelos meios de comunicação, e também pelos milhares de peregrinos que estavam presentes na Praça São Pedro.


Irmã Kupita Mier

Para a Irmã Kupita Mier, do México, este foi um momento de graça não apenas de forma pessoal, mas para toda a Igreja Católica.

“É o momento em que novamente o Senhor nos dá Sua Misericórdia, nos abre não só a Porta física desta grande basílica, mas a porta dos corações de todos aqueles que pedem, com uma atitude de reconciliação, de fé, de amor, para partilhar com os semelhantes”.

Luizella Rolle, italiana de Turim, foi uma das primeiras pessoas a atravessar a porta da Misericórdia na Basílica de São Pedro. Desejo que era dela e também do seu marido, que faleceu há dois anos.


Luizella Rolle

“Foi uma emoção fortíssima, um sentimento que não sei como explicar. Vir aqui foi também uma forma de cumprir o desejo dele. E eu pedi ao Senhor a força de seguir em frente, de ter a serenidade que preciso, para superar esta dor da falta do meu esposo”.

A brasileira Sâmia Maria Barros de Almeida, que é da “Jovem missão” da Comunidade Shalom, participou da cobertura do evento, e se disse tocada pelo chamado de Francisco.

“O convite do Papa para sermos ‘pais de misericórdia’ é um grande desafio e ao mesmo tempo um convite muito especial, de experimentar a misericórdia de Deus como aqueles que são verdadeiros instrumentos dessa misericórdia, desse amor. E foi aquilo que Nossa Senhora fez, de dizer sim para ser a Mãe de Deus, como um sair de Si para ir ao encontro da humanidade, de todos nós. Para mim, é um ano de graças e também uma grande honra estar em Roma neste tempo, e participar desta celebração”.


A jovem Sâmia

A celebração contou com a presença em massa de cardeais, bispos e sacerdotes de vários países. Um deles foi o Mons. Élie Zouein, Maronita que atua como capelão do exército canadense.

“É maravilhoso ver as pessoas aqui para rezar pedindo a misericórdia de Deus, pedindo a paz e o amor, para viver em harmonia e paz em todo o mundo. É o que precisamos”, salientou o bispo maronita.

Dom Antonio Carlos Altieri, Arcebispo emérito de Passo Fundo/RS, em entrevista ao Portal Canção Nova, enfatizou as palavras do Papa Francisco sobre o Concilio Vaticano II. Na homilia, o Santo Padre afirmou que este marco proporcionou “um grande progresso que se realizou na fé” e foi “um verdadeiro encontro entre a Igreja e os homens do nosso tempo”.

“No Concílio Vaticano II, cujo cinquentenário nós estamos celebrando, o Espírito Santo chacoalhou a Igreja para que ela saísse de si mesma e fosse ao encontro do mundo, se inserisse na sociedade. E depois de 50 anos, esse Ano da Misericórdia quer intensificar ainda mais, quer lembrar essa missão de sermos sinais e portadores do amor de Deus para o mundo, para aqueles que não conhecem, foi para estes que Jesus veio”, destacou Dom Altieri.
Ano da Misericórdia: Tempo de retorno ao Senhor

O arcebispo emérito de Passo Fundo ressaltou ainda o convite do Papa Francisco à Igreja, para que cada fiel faça uma experiência de retorno ao Senhor com a misericórdia, através da confissão e de uma conversão pessoal.

“Ele nos disse desde o início do seu pontificado, ‘Deus não se cansa de perdoar, nós é que nem sempre acreditamos nisso, e o medo, a desconfiança dessa misericórdia de Deus é que é pecado, é falha nossa. Mas vamos crescer nesta confiança, fazendo a experiência e divulgando a bondade de Deus no mundo, e sendo sinais críveis àqueles que mais precisam”.
O que é aberto na Terra é aberto no Céu

A abertura da Porta Santa, mais do que um momento simbólico, é, de fato, um tempo de graça para a Igreja Católica, tempo em que se abrem também nos céus as Portas da misericórdia. O africano Collins Jember, de Camarões, depois de atravessar a porta da Basílica de São Pedro relembrou o poder que Jesus deu ao apóstolo Pedro, primeiro Papa da Igreja, de ligar a realidade terrena à celestial.

“Eu acredito que o Papa tem o poder para isto. E quando ele inicia algo na Terra também é iniciado no céu. Aquilo que ele abre na Terra é aberto também no Céu. É nisso que eu acredito”.

Papa Francisco abre Porta Santa e dá início ao Ano da Misericórdia


Francisco explicou que entrar pela Porta Santa significa “descobrir a profundidade da misericórdia do Pai”

Kelen Galvan
Da redação


Francisco durante homilia na abertura do Ano da Misericórdia / Foto: Reprodução CTV

Nesta terça-feira, 8, o Papa Francisco abriu o Jubileu extraordinário da Misericórdia, o 29ª Ano Santo vivido na história da Igreja. Também hoje, celebra-se o 50º aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II.

Antes de abrir a Porta Santa, o Santo Padre presidiu na Praça São Pedro a Santa Missa da Solenidade da Imaculada Conceição.

Na homilia, Francisco destacou que o gesto “altamente simbólico” da abertura da Porta Santa da Misericórdia acontece à luz da Palavra de Deus escutada na liturgia de hoje, que evidencia a primazia da graça, que envolveu a Virgem Maria, tornando-a digna de ser mãe de Cristo.

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.: Homilia na íntegra

“A plenitude da graça é capaz de transformar o coração, permitindo-lhe realizar um ato tão grande que muda a história da humanidade”, reforçou o Pontífice.
Amor que perdoa

O Papa disse ainda que a festa da Imaculada Conceição exprime a grandeza do amor divino. “Deus não é apenas Aquele que perdoa o pecado, mas, em Maria, chega até a evitar a culpa original, que todo o homem traz consigo ao entrar neste mundo. É o amor de Deus que evita, antecipa e salva”.

O Santo Padre recorda que há sempre a tentação do pecado, que se exprime no desejo de projetar a própria vida, independentemente da vontade de Deus. Segundo ele, esta é a “inimizade” que ameaça continuamente a vida dos homens, contrapondo-os ao desígnio de Deus.

Todavia, afirma o Pontífice, a própria história do pecado só é compreensível à luz do amor que perdoa. “Se tudo permanecesse ligado ao pecado, seríamos os mais desesperados entre as criaturas. Mas não! A promessa da vitória do amor de Cristo encerra tudo na misericórdia do Pai”.
Descobrir a misericórdia de Deus

Francisco destacou que também este Ano Santo Extraordinário é dom de graça e entrar pela Porta Santa significa “descobrir a profundidade da misericórdia do Pai” que a todos acolhe e vai pessoalmente ao encontro de cada um.

O Papa explicou que, neste ano, os fiéis são convidados a crescer na convicção da misericórdia, e disse que, quando se afirma, em primeiro lugar, que os pecados são punidos pelo julgamento de Deus, fazemos uma grande injustiça à Ele e à sua graça, pois eles são perdoados, primeiramente, por sua misericórdia.

Nesse sentido, o Santo Padre expressou seu desejo de que atravessar a Porta Santa permita a todos sentirem-se participantes deste mistério de amor. “Ponhamos de lado qualquer forma de medo e temor, porque não se coaduna em quem é amado; vivamos, antes, a alegria do encontro com a graça que tudo transforma”.
50 anos do Concílio Vaticano II

O Pontífice recordou ainda que, há 50 anos, os padres do Concílio Vaticano II escancaram outra porta ao mundo. E destacou que, a riqueza deste evento, não está apenas nos documentos elaborados, mas primariamente, no verdadeiro encontro que ocorreu entre a Igreja e os homens deste tempo.

“Um encontro marcado pela força do Espírito que impelia a sua Igreja a sair dos baixios que por muitos anos a mantiveram fechada em si mesma, para retomar com entusiasmo o caminho missionário. Era a retomada de um percurso para ir ao encontro de cada homem no lugar onde vive”, ressaltou.

Por fim, Francisco enfatizou que também o jubileu exorta a cada um a esta abertura, ao impulso missionário, a não esquecer o espírito que surgiu no Vaticano II: o do samaritano.


Abertura da Porta Santa

Ao final da Missa, o Papa Francisco dirigiu-se à Porta Santa da Basílica de São Pedro. Após uma breve oração, subiu os degraus em silêncio e com três toques abriu a Porta Santa, dando início ao Ano da Misericórdia.

O Pontífice foi o primeiro a atravessar a Porta Santa, seguido pelo Papa emérito Bento XVI e pelos demais concelebrantes, outros sacerdotes, religiosos e por alguns fiéis.

Francisco dirigiu-se ao Altar da Confissão no interior da Basílica de São Pedro e concluiu a Santa Missa com uma oração e sua benção apostólica.


Bento XVI foi o segundo a atravessar a Porta Santa / Foto: Reprodução CTV

.: Veja mais fotos sobre a abertura da Porta Santa no Vaticano