domingo, 3 de abril de 2016
VIGÍLIA DA FESTA DA MISERICÓRDIA Papa: "fé que não é capaz de ser misericordiosa não é fé, é ideologia"
Papa Francisco celebrou uma vigília de oração marcada por muita oração e reflexão sobre a Misericórdia de Deus
Monique Coutinho
Da redação
Neste sábado, 2, o Papa Francisco celebrou a vigília de oração por ocasião do Jubileu da Misericórdia, na Praça São Pedro, no Vaticano. O momento contou com a presença de devotos da Divina Misericórdia, leigos e religiosos, que ouviram atentamente as reflexões, que foram baseadas no profeta Isaías.
A assembleia foi dividida em cinco partes reflexivas, incluindo intenções de orações e cânticos relacionados à Misericórdia. Os textos foram lidos por participantes do evento, que pediram com clamor: “estendei ó Senhor a tua Misericórdia” e “envolve-nos com tua Misericórdia ó Senhor”.
Papa Francisco em seu discurso na vigília de oração / Fonte: Reprodução CTV
A realidade atual dos cristãos perseguidos, trechos da carta encíclica de São João Paulo II, “Dives in Misericordia”, publicada em novembro de 1980, e partes do diário de Santa Faustina Kowalsk também foram citados durante a celebração.
Discurso do Papa
Na última parte da assembleia da vigília, os participantes foram contemplados com o discurso do Papa Francisco, que refletiu o Evangelho de São João. O Pontífice iniciou agradecendo pelas orações e recordou a morte de São João Paulo II, que hoje completa 11 anos.
“Com alegria partilhamos esse momento de oração, tão desejado por São João Paulo II, em um dia como hoje. Em 2005 ele foi embora, e queria fazer isso para dar um cumprimento no pedido de Santa Faustina.”
Francisco prosseguiu questionando: “com quantas faces da misericórdia Deus vem ao nosso encontro? Muitas. É impossível descrever todas, porque a misericórdia de Deus cresce sem parar. Deus não se cansa de exprimir e nós jamais deveríamos recebê-la, procurá-la e desejá-la só por hábito”.
Deus, a misericórdia
O Papa destacou ainda que Deus manifestou varias vezes o seu nome, que é misericórdia. “Como é grande e infinita a natureza de Deus, assim é grande e infinita a sua misericórdia”, reflete, e prossegue citando a Bíblia, que mostra que a misericórdia é antes de mais nada a proximidade de Deus ao seu povo.
O Santo Padre observa também que o mundo de hoje tem muita necessidade dessa misericórdia e reforça que “não temos um Deus que não sabe compreender e compadecer-se das nossas fragilidades, ao contrário, foi precisamente em virtude da sua misericórdia que Deus se fez um de nós”.
“Pela encarnação o filho de Deus uniu-se de certo modo a cada homem, trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com coração humano. Nascido da Virgem Maria, Ele se fez verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, com exceção do pecado.”
A todo momento, o Papa se dirigiu a Deus como misericórdia. “A Misericórdia não esta parada, vai a procura da ovelha perdida e quando a encontra, irradia uma alegria contagiosa. A Misericórdia sabe olhar cada pessoa nos olhos, cada uma delas é preciosa. Porque cada uma é única.”
Quantas faces tem a misericórdia de Deus?
Para o Pontífice, falar dessa misericórdia é fácil, difícil mesmo é tornar-se testemunha da vida concreta. “Esse é um percurso que dura por toda vida e que não deve ser interrompida. Jesus nos disse que devemos ser misericordioso como o Pai, toda a vida, toma isso. Quantas faces tem, portanto, a misericórdia de Deus?”
Os pobres são recordados pelo Santo Padre, que se comove ao citar que esses não são vistos pelos demais. “A misericórdia não pode nos deixar tranquilos. É o amor de Cristo que nos inquieta e enquanto não tivermos alcançado o objetivo, que nos impede de abraçar e envolver os que necessitam de misericórdia, para que todos sejam reconciliados com o Pai.”
Amor que alcança todos
Francisco afirma também que a misericórdia é um amor que alcança todos e os envolve de tal maneira que se antecipa e vai além si mesmo. “Se deixarmos conduzir por esse amor, assim nos tornaremos misericordiosos como o Pai.”
Segundo o Papa, uma fé que não é capaz de ser misericordiosa não é fé, é ideia, é ideologia. A fé é encarnada no Deus que se fez carne e foi chagado por todos. “Mas se queremos acreditar e realmente ter fé, devemos nos aproximar e tocar nas chagas de Jesus e também abaixar a cabeça e deixar que os outros apreciem as nossas chagas.”
Ao concluir sua reflexão, o Papa Francisco pediu ao Espírito Santo que guie os passos de todos, pois Ele é amor e misericórdia. “Não coloquemos obstáculos na sua ação (…) Permaneçamos com o coração aberto para que o Espírito possa transformá-lo, e assim, perdoados e reconciliados, dentro das chagas do Senhor sejamos testemunhas da alegria que brota de ter encontrado o Senhor ressuscitado, Vivo no meio de nós”, e assim concedeu a bênção apostólica.
Logo após, Francisco improvisou um apelo para que Dioceses de todo o mundo pensem em deixar uma recordação viva desse Ano da Misericórdia. (CN)
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Santo Padre reza para que cristãos na África deem testemunho da fé em Cristo em meio a conflitos
Da Redação, com Apostolado de Oração
Na intenção de oração do Papa Francisco para esse mês de abril, estão os pequenos agricultores e os cristãos na África.
Na intenção universal, o Santo Padre reza para que “os pequenos agricultores recebam a justa compensação pelo seu precioso trabalho”. Já na intenção pela evangelização, Francisco pede que “os cristãos de África dêem testemunho do amor e da fé em Jesus Cristo no meio dos conflitos político-religiosos”.
Com a intenção de oração, Francisco volta a colocar em destaque a África, que em novembro recebeu sua visita. Na viagem, o Papa falou recordou ataques extremistas realizados no continente, além de levar conforto e esperança a bairros pobres, a refugiados e aos jovens africanos.
Todos os meses, o Papa Francisco confia suas intenções de oração ao Apostolado de Oração, uma iniciativa que é seguida em todo o mundo.
Donativos chegam esta sexta-feira, no âmbito de uma visita promovida pela Fundação Ajuda a Igreja que Sofre
Da redação, com Ecclesia
A ajuda financeira enviada pelo Papa Francisco aos cristãos de Erbil, no Iraque, chega ao local nesta sexta-feira, 1º. A doação foi enviada por intermédio da Fundação Ajuda a Igreja que Sofre (AIS), organismo humanitário católico ligado à Santa Sé.
Segundo o serviço informativo da Santa Sé, o bispo de Carpi, Dom Francesco Cavina, será responsável pela entrega desta “contribuição financeira pessoal” do Papa.
“Assim que Francisco soube da minha ida ao Iraque, integrada na visita da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre ao país, ele telefonou-me expressando o desejo de enviar uma doação aos nossos irmãos na fé iraquianos”, confidencia o prelado.
Além dos donativos em dinheiro, o Papa quis também enviar “alguns paramentos” para os membros do clero que acompanham a comunidade cristã de Erbil, no Curdistão Iraquiano.
Francisco escreveu ainda uma mensagem, na qual expressa sua “tristeza” pela situação dos cristãos locais, perseguidos diariamente devido à sua religião, e sublinha “o direito inalienável de todas as pessoas professarem livremente a sua fé”.
O Papa realça ainda a importância de “não esquecer este drama da perseguição” que afeta cristãos e outras minorias étnicas em todo o mundo. “O testemunho de fé corajosa e paciente de muitos discípulos de Cristo representa para toda a Igreja um desafio à redescoberta da fonte fecunda do Mistério Pascal, através do qual todos podemos obter energia, força e luz para a construção de uma nova humanidade”.
A visita da Fundação AIS, liderada pelo presidente da delegação do organismo em Itália, vai incluir encontros com o arcebispo caldeu de Erbil, Dom Bashar Matti Warda, e o bispo siro-católico de Mosul, Dom Petros Mouche.
Também a passagem por vários centros de refugiados e uma comunidade com 175 famílias cristãs, cujas casas foram doadas pela AIS e que foi batizada com o nome do fundador da organização, o padre Werenfried van Straaten.
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