sexta-feira, 29 de julho de 2016


Papa visita crianças doentes e pede cultura do acolhimento
SEXTA-FEIRA, 29 DE JULHO DE 2016, 11H55MODIFICADO: SEXTA-FEIRA, 29 DE JULHO DE 2016


Em visita a hospital pediátrico de Cracóvia, Papa denunciou sociedade poluída com a cultura do descartável e pediu a multiplicação da cultura do acolhimento

Jéssica Marçal
Da Redação


Após discurso, Francisco cumprimento crianças do hospital / Foto: Reprodução CTV

“Na minha visita a Cracóvia, não podia faltar o encontro com os pequeninos pacientes deste hospital”. Foi assim que o Papa Francisco começou seu discurso na visita ao hospital pediátrico universitário em Cracóvia (UCH) nesta sexta-feira, 29. Ele pediu a multiplicação da cultura do acolhimento.

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.: Íntegra do discurso

Presentes no encontro estavam apenas 50 das cerca de 30 mil crianças atendidas anualmente pelo hospital. O Papa disse que sua vontade era ficar mais tempo ali para poder abraçar cada uma delas, ouvi-las nem que fosse por um instante e rezar.

Essa era uma atitude que Jesus tinha para com os doentes, recordou Francisco. “Como gostaria que nós, como cristãos, fôssemos capazes de permanecer ao lado dos doentes à maneira de Jesus, com o silêncio, com uma carícia, com a oração”, disse o Papa, lamentando que hoje a sociedade esteja poluída com a cultura do descarte, que é o contrário do acolhimento.

Francisco alertou ainda que os mais fracos acabam sendo as principais vítimas dessa crueldade, mas no UCH isso é diferente, as crianças são acolhidas e cuidadas, um trabalho ao qual o Papa deixou o seu agradecimento.

“Multipliquemos as obras da cultura do acolhimento, obras animadas pelo amor cristão, amor a Jesus crucificado, à carne de Cristo. Servir com amor e ternura as pessoas que precisam de ajuda faz-nos crescer, a todos, em humanidade; e abre-nos a passagem para a vida eterna: quem cumpre obras de misericórdia não tem medo da morte”.


Pacientes do hospital acompanham discurso do Papa / Foto: Reprodução CTV
Outros compromissos

Mais cedo, antes da visita ao hospital,Papa Francisco foi a Auschwitz e Birkenau, dois antigos campos de concentração na Polônia.

Agora Francisco segue novamente ao encontro dos jovens, desta vez para a realização da tradicional via-sacra da Jornada Mundial da Juventude. Esse será seu último compromisso nesta sexta-feira.

jmj2016


Discurso do Papa na via-sacra com os jovens da JMJ 2016
SEXTA-FEIRA, 29 DE JULHO DE 2016, 14H36MODIFICADO: SEXTA-FEIRA, 29 DE JULHO DE 2016



Viagem do Papa Francisco a Cracóvia, Polônia – JMJ 2016
Via-sacra com os jovens
Sexta-feira, 29 de julho de 2016

Boletim da Santa Sé

«Tive fome e destes-me de comer,
tive sede e destes-me de beber,
era peregrino e recolhestes-me,
estava nu e destes-me que vestir,
adoeci e visitastes-me,
estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt 25, 35-36).

Estas palavras de Jesus vêm ao encontro da questão que muitas vezes ressoa na nossa mente e no nosso coração: «Onde está Deus?» Onde está Deus, se no mundo existe o mal, se há pessoas famintas, sedentas, sem abrigo, deslocadas, refugiadas? Onde está Deus, quando morrem pessoas inocentes por causa da violência, do terrorismo, das guerras? Onde está Deus, quando doenças cruéis rompem laços de vida e de afeto? Ou quando as crianças são exploradas, humilhadas, e sofrem – elas também – por causa de graves patologias? Onde está Deus, quando vemos a inquietação dos duvidosos e dos aflitos na alma? Há perguntas para as quais não existem respostas humanas. Podemos apenas olhar para Jesus, e perguntar a Ele. E a sua resposta é esta: «Deus está neles», Jesus está neles, sofre neles, profundamente identificado com cada um. Está tão unido a eles, que quase formam «um só corpo».

Foi o próprio Jesus que escolheu identificar-Se com estes nossos irmãos e irmãs provados pelo sofrimento e a angústia, aceitando percorrer o caminho doloroso para o calvário. Ao morrer na cruz, entrega-Se nas mãos do Pai e leva consigo e em Si mesmo, com amor de doação, as chagas físicas, morais e espirituais da humanidade inteira. Abraçando o madeiro da cruz, Jesus abraça a nudez e a fome, a sede e a solidão, a dor e a morte dos homens e mulheres de todos os tempos. Nesta noite, Jesus e nós, juntamente com Ele, abraçamos com amor especial os nossos irmãos sírios, que fugiram da guerra. Saudamo-los e acolhemo-los com fraterno afeto e simpatia.

Repassando a Via-Sacra de Jesus, descobrimos de novo a importância de nos configurarmos a Ele, através das 14 obras de misericórdia. Estas ajudam-nos a abrir-nos à misericórdia de Deus, a pedir a graça de compreender que a pessoa, sem misericórdia, não pode fazer nada; sem a misericórdia, eu, tu, nós todos não podemos fazer nada. Comecemos por ver as sete obras de misericórdia corporais: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, dar pousada aos peregrinos, visitar os enfermos; visitar os presos; enterrar os mortos. Gratuitamente recebemos, demos gratuitamente também. Somos chamados a servir Jesus crucificado em cada pessoa marginalizada, a tocar a sua carne bendita em quem é excluído, tem fome, tem sede, está nu, preso, doente, desempregado, é perseguido, refugiado, migrante. Naquela carne bendita, encontramos o nosso Deus; naquela carne bendita, tocamos o Senhor. O próprio Jesus no-lo disse, ao explicar o «Protocolo» com base no qual seremos julgados: sempre que fizermos isto a um dos nossos irmãos mais pequeninos, fazemo-lo a Ele (cf. Mt 25, 31-46).

Às obras de misericórdia corporais seguem-se as obras de misericórdia espirituais: dar bons conselhos, ensinar os ignorantes, corrigir os que erram, consolar os tristes, perdoar as injúrias, suportar com paciência as fraquezas do nosso próximo, rezar a Deus por vivos e defuntos. A nossa credibilidade de cristãos é posta em jogo no acolhimento da pessoa marginalizada que está ferida no corpo, e no acolhimento do pecador que está ferido na alma.

Hoje a humanidade precisa de homens e mulheres, particularmente jovens como vós, que não queiram viver a sua existência «a metade», jovens prontos a gastar a vida no serviço gratuito aos irmãos mais pobres e mais vulneráveis, à imitação de Cristo que Se doou totalmente a Si mesmo pela nossa salvação. Perante o mal, o sofrimento, o pecado, a única resposta possível para o discípulo de Jesus é o dom de si mesmo, até da própria vida, à imitação de Cristo; é a atitude do serviço. Se alguém, que se diz cristão, não vive para servir, não serve para viver. Com a sua vida, renega Jesus Cristo.

Nesta noite, queridos jovens, o Senhor renova-vos o convite para vos tornardes protagonistas no serviço; Ele quer fazer de vós uma resposta concreta às necessidades e sofrimentos da humanidade; quer que sejais um sinal do seu amor misericordioso para o nosso tempo! Para cumprir esta missão, Ele aponta-vos o caminho do compromisso pessoal e do sacrifício de vós próprios: é o Caminho da cruz. O Caminho da cruz é o caminho da felicidade de seguir a Cristo até ao fim, nas circunstâncias frequentemente dramáticas da vida diária; é o caminho que não teme insucessos, marginalizações ou solidões, porque enche o coração do homem com a plenitude de Jesus. O Caminho da cruz é o caminho da vida e do estilo de Deus, que Jesus nos leva a percorrer mesmo através das sendas duma sociedade por vezes dividida, injusta e corrupta.

O caminho da cruz não é um caminho masoquista. O caminho da cruz é o único que vence o pecado, o mal e a morte, porque desemboca na luz radiosa da ressurreição de Cristo, abrindo os horizontes da vida nova e plena. É o Caminho da esperança e do futuro. Quem o percorre com generosidade e fé, dá esperança e futuro à humanidade. E eu gostaria que vós fostes semeadores.

Naquela Sexta-feira Santa, queridos jovens, muitos discípulos voltaram tristes para suas casas, outros preferiram ir para a casa da aldeia a fim de esquecer a cruz. Pergunto-vos: Nesta noite, como quereis tornar às vossas casas, aos vossos locais de alojamento? Nesta noite, como quereis voltar a encontrar-vos com vós mesmos? Cabe a cada um de vós dar resposta ao desafio desta pergunta.

terça-feira, 26 de julho de 2016


São Joaquim e Sant'Ana
(26 de Julho)

Com alegria celebramos hoje a memória dos pais de Nossa Senhora: São Joaquim e Sant'Ana.
Em
Eebraico, Ana exprime "graça" e Joaquim equivale a "Javé prepara ou fortalece".

Alguns escritos apócrifos narram a respeito da vida destes que foram os primeiros educadores da Virgem Santíssima. Também os Santos Padres e a Tradição testemunham que São Joaquim e Sant'Ana correspondem aos pais de Nossa Senhora.

Sant'Ana
Sant'Anascido em Belém. São Joaquim na Galileia. Ambos eram estéreis. Mas, apesar de enfrentarem esta dificuldade, viviam uma vida de fé e de temor a Deus.

O Senhor então os abençoou com o nascimento da Virgem Maria e, também segundo uma antiga tradição, São Joaquim e Sant'Ana já eram de idade avançada quando receberam esta graça.

A menina Maria foi levada mais tarde pelos pais Joaquim e Ana para o Templo, onde foi educada, ficando aí até ao tempo do noivado com São José. A data do nascimento e morte de ambos não possuímos, mas sabemos que vivem no coração da Igreja e nesta são cultuados desde o século VI.

Fonte: Canção Nova


domingo, 24 de julho de 2016

Papa Francisco
destaca três pedidos fundamentais na oração do Pai Nosso
DOMINGO, 24 DE JULHO DE 2016


Citando a oração do ‘Pai Nosso’, Francisco lembrou que São Lucas menciona três súplicas fundamentais para o cristão

Da redação, com Rádio Vaticano

No Angelus deste domingo, 24, o Papa Francisco destacou a importância da oração como “ferramenta de trabalho” e “salvação de vida”.

“Senhor, ensina-me a rezar” foi a frase que o Pontífice destacou do Evangelho do dia (Lc 11, 1-13), recordando que a palavra ‘Pai’ é o segredo ‘fundamental’ da oração.

“É a chave que Ele nos dá para que possamos entrar também na relação de diálogo íntimo com o Pai”, afirmou, reiterando que “insistir com Deus não serve para convencê-lo, mas para fortalecer a nossa fé, nossa capacidade de lutar com Deus pelas coisas realmente importantes”.

Citando a oração do ‘Pai Nosso’, Francisco lembrou que São Lucas menciona três súplicas: o pão, com o qual Jesus mostra o que é necessário e não o supérfluo; o perdão, que recebemos antes de tudo de Deus e que nos torna capazes de realizar gestos de reconciliação; e por fim, o terceiro pedido: ‘não nos deixeis cair em tentação’, um conceito que, segundo o Papa, expressa a nossa condição de estarmos sempre à mercê do mal e da corrupção.

“Não se pode viver sem pão, não se pode viver sem perdão e não se pode viver sem a ajuda de Deus para não cairmos em tentação”, assegurou o Pontífice, concluindo: “Sabemos bem o que são as tentações!”.

Milhares de fiéis, principalmente jovens, participaram da oração mariana do Angelus neste domingo, 24, e muitas bandeiras brasileiras enfeitaram a Praça São Pedro. A comitiva de São João da Boa Vista (SP), bastante numerosa, foi saudada pelo Papa no momento final. Muitos grupos estão em Roma a caminho da Polônia para a Jornada Mundial da Juventude.

terça-feira, 19 de julho de 2016


Papa Francisco fala sobre a inquietação dos jovens em vídeo
SEGUNDA-FEIRA, 18 DE JULHO DE 2016, 9H46MODIFICADO: SEGUNDA-FEIRA, 18 DE JULHO DE 2016


Videomensagem foi gravada aos jovens americanos como um convite a participar de evento em Washington

Da redação, com Rádio Vaticano e site oficial do evento


Multidão de jovens reunidos no evento “Together 2016”, em Washington./ Foto: site oficial

O Papa Francisco enviou uma videomensagem aos jovens convidando-os a participar do evento ecumênico “Together 2016”, nos Estados Unidos.

O evento aconteceu durante todo o último sábado, 16, no parque National Mall, em Washington. A expectativa, segundo o site do evento, era a de reunir mais de um milhão de jovens em torno da música gospel.

O encontro foi organizado pelo movimento de oração e evangelização “Pulse” e reuniu nomes como Michael W. Smith, Jeremy Camp e o grupo Hillsong.

O Papa Francisco, no vídeo, falou principalmente sobre a inquietação que o jovem traz:

“Queridos jovens, sei que tem algo em seus corações que os agita e os torna inquietos, porque um jovem que não é inquieto é um velho. Mas qual é a sua inquietação?”

O Pontífice recordou que Jesus é capaz de responder a este estado de ânimo, pois foi Ele mesmo quem plantou esta semente.

Ao final do vídeo, o Papa animou os jovens a atenderem o convite de Jesus:

“Esteja certo, eu garanto: você não se sentirá frustrado. Deus não desilude ninguém. Força! Você não tem nada a perder. Tente! E depois me diga.”

domingo, 17 de julho de 2016

Na capacidade de ouvir está a raiz da paz", diz Papa
DOMINGO, 17 DE JULHO DE 2016

Na oração do Angelus deste domingo, 17, o Papa Francisco pede para que todos aprendam a ouvir uns aos outros e a Deus

Da redação, com Rádio Vaticano

Neste domingo, 17, o Papa Francisco rezou a oração do Angelus, junto com milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração dominical, ateve-se ao Evangelho do dia, que traz o notável episódio da visita de Jesus às irmãs Maria e Marta. Ambas oferecem acolhimento ao Senhor, mas fazem-no de diferente modo.

Maria se assenta aos pés de Jesus e ouve sua Palavra, ao invés, Marta, toda preocupada na lida da casa, a um certo ponto vai até Jesus e diz: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude”.

E Jesus lhe responde: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada”.

“No seu ocupar-se com os afazeres, Marta corre o riso de esquecer. E esse é o problema: corre o risco de esquecer a coisa mais importante, ou seja, a presença do hóspede, que era Jesus neste caso. Esquece-se da presença do hóspede. E o hóspede não deve ser simplesmente servido, alimentado, assistido em todas suas necessidades. Sobretudo, é preciso que seja ouvido. Recordem-se bem dessa palavra. ouvir! Porque o hóspede deve ser acolhido como pessoa, com a sua história, seu coração rico de sentimentos e de pensamentos, de modo a poder sentir-se verdadeiramente em família.”
Palavra que ilumina

A resposta que Jesus dá a Marta, quando lhe diz que uma só coisa é necessária, encontra seu significado pleno na referência à escuta da Palavra de Jesus mesmo, aquela Palavra que ilumina e dá sustento a tudo aquilo que somos e que fazemos, disse o Pontífice.

“Se nós vamos rezar, por exemplo, diante do Crucifixo e falamos, falamos, falamos e falamos, e depois vamos embora: não ouvimos Jesus! Não deixamos Ele falar ao nosso coração. Ouvir: essa é palavra-chave. Não devemos esquecer que a Palavra de Jesus ilumina e dá sustento a tudo aquilo que somos e que fazemos”, diz o Papa.

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Ele acrescenta ainda enfatizando que não se deve esquecer que também na casa de Marta e Maria, Jesus, antes de ser Senhor e Mestre, é peregrino e hóspede. Portanto, sua resposta tem este primeiro e mais imediato significado.

“Para acolhê-lo não são necessárias muitas coisas; aliás, necessária é uma só coisa: ouvi-lo – a palavra: ouvi-lo –, demonstrar-lhe uma atitude fraterna, de modo que perceba estar em família, e não numa situação de acolhimento provisório.”
Hospitalidade

Assim entendida, acrescentou o Papa, “a hospitalidade – que é uma das obras de misericórdia – se mostra verdadeiramente como uma virtude humana e cristã, uma virtude que no mundo de hoje corre o risco de ser negligenciada”.

Francisco ressaltou que se multiplicam as casas de recuperação e os centros de abrigo, “mas nem sempre nestes ambientes se pratica uma verdadeira hospitalidade. Criam-se várias instituições que contrastam muitas formas de doença, de solidão, de marginalização, mas diminui a probabilidade para quem é estrangeiro, marginalizado, excluído, de encontrar alguém disposto a ouvi-lo. Porque é estrangeiro, refugiado, migrante. Ouvir aquela dolorosa história”.

Até mesmo na própria casa, entre os próprios familiares, pode verificar-se que se encontrem mais facilmente serviços e cuidados de vários tipos, do que escuta e acolhimento, observou o Papa.
Capacidade de ouvir

Francisco afirmou que hoje estamos de tal modo absortos, com frenesi, nos muitos problemas – e alguns dos quais não importantes –, que nos falta a capacidade de ouvir. Estamos continuamente atarefados e assim não temos tempo para ouvir.

Dito isso, o Pontífice dirigiu-se aos presentes na Praça São Pedro, interpelando-os, pedindo a cada um que respondesse em seu coração.

“Você, marido, tem tempo para ouvir sua mulher? E você, mulher, tem tempo para ouvir seu marido? Vocês, pais, têm tempo para ouvir seus filhos ou seus avós, os anciãos. Mas, os avós dizem sempre as mesmas coisas, são monótonos (…) Mas precisam ser ouvidos.”

Ao concluir, Francisco pede para que todos aprendam a ouvir e a dedicar-lhes mais tempo. Na capacidade de ouvir está a raiz da paz.