terça-feira, 25 de outubro de 2016


Papa: rio de ódio no mundo é vencido pelo oceano da misericórdia de Deus


Papa Francisco confessando uma jovem na Praça São Pedro - ANSA
24/10/2016 10:40

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Cidade do Vaticano (RV) - "Vivemos em tempos difíceis", os de uma "guerra mundial em pedaços", mas "o rio do ódio e da violência nada pode contra o oceano de misericórdia que inunda nosso mundo."


É o que o Papa Francisco escreve no prefácio do livro “Não tenha medo de perdoar” do Pe. Luís Dri, sacerdote confessor em Buenos Aires e grande amigo de Jorge Mario Bergoglio quando era arcebispo da capital argentina. O livro, realizado em colaboração com Andrea Tornielli e Alver Metalli, foi publicado pela editora RaiEri e estará disponível nas livrarias a partir desta terça-feira, 25. 

O Papa Francisco recorda de Pe. Luís Dri as longas horas passadas no confessionário em Buenos Aires, o gesto de beijar a mão dos penitentes, o escrúpulo por ter perdoado demais. Diante do Santíssimo Sacramento, Pe. Luís pedia ele mesmo perdão por ter perdoado demais e, como São Leopoldo Mandić, se dirigia a Jesus que nisso lhe deu “mau exemplo”. 

“Um comportamento necessário hoje”, escreve o Papa, “porque ao penitente que entrou no confessionário “por acaso” (“mas no plano de Deus Pai nada é casual”, explica Francisco) ou como etapa final de um percurso sofrido, “é preciso fazer sentir o abraço misericordioso do nosso Deus. Um Deus que nos precede, nos espera e acolhe”.

Não é por acaso que no confessionário de Pe. Luís se encontra um quadro de Rembrandt sobre o retorno do Filho Pródigo. “A misericórdia é o amor materno visceral que se comove diante da fragilidade de sua criatura e a abraça, e a grande fidelidade do Pai que sempre apoia, perdoa e volta a colocar os seus filhos em seu caminho.”

Para Pe. Luís, a misericórdia é um ato de contestação do egoísmo, porque reconhece não "eu", mas "Outro" o princípio criador do mundo. Aceitando a misericórdia de Deus para o homem e imitando o seu comportamento, se adquire benefícios também na vida coletiva, porque “a misericórdia é um comportamento profundamente social”. 

O Papa reitera que na “guerra mundial em pedações” que estamos vivendo, “todo sinal de amizade, toda mão estendida e toda reconciliação, embora não faça notícia, é destinada a trabalhar no tecido social", desde a família às relações entre os Estados. Um oceano de misericórdia contra o rio do ódio no qual se imergir e se deixar regenerar.

(MJ)

Papa: a Lei do Senhor não foi feita para escravizar, mas para libertar


Papa celebra missa na Santa Marta, 24 de outubro de 2016 - OSS_ROM
24/10/2016 10:37

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Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco começou a semana celebrando na segunda-feira (24/10) a Missa na capela da Casa Santa Marta.


Em sua homilia, o Pontífice comentou o Evangelho do dia, em que Jesus cura uma mulher no sábado, provocando a indignação do chefe da Sinagoga porque – diz ele – foi violada a Lei do Senhor.

“Não é fácil caminhar na Lei do Senhor”, comentou o Papa, é “uma graça que devemos pedir”. Jesus o acusa de ser hipócrita, uma palavra que “repete tantas vezes aos rígidos, àqueles que têm uma atitude de rigidez em cumprir a lei”, que não têm a liberdade dos filhos, “são escravos da Lei”. Porém, “a Lei – observou – não foi feita para nos escravizar, mas para nos libertar, para nos fazer filhos”. “Por trás da rigidez, tem sempre outra coisa, sempre! E por isso Jesus diz: hipócritas!”:



“Por trás da rigidez há algo escondido na vida de uma pessoa. A rigidez não é um dom de Deus. A mansidão, sim; a bondade, sim; a benevolência, sim; o perdão, sim. Mas a rigidez não! Por trás da rigidez há sempre algo escondido, em tantos casos uma vida dupla; mas há também algo de doentio. Quanto sofrem os rígidos: quando são sinceros e se percebem isso, sofrem! Porque não conseguem ter a liberdade dos filhos de Deus; não sabem como se caminha na Lei do Senhor e não são beatos. E sofrem tanto! Parecem bons, porque seguem a Lei; mas por trás tem alguma coisa que não os torna bons: ou são maus, hipócritas ou são doentes. Sofrem!”.

O Papa Francisco recordou a parábola do filho pródigo, em que o filho mais velho, que sempre se comportou bem, se indigna com o pai porque acolhe com alegria o filho menor dissoluto, mas que regressou arrependido. Esta atitude – explicou o Papa –, mostra o que há por trás de certa bondade: “a soberba de se julgar justo”:

“Por trás deste comportar-se bem há soberba. Um filho sabia que tinha um pai e no momento mais obscuro da sua vida foi até ele; o outro via o pai somente como patrão, mas nunca o havia visto como pai. Era um rígido: caminhava na Lei com rigidez. O outro deixou a Lei de lado, foi embora sem a Lei, contra a Lei, mas a um certo ponto pensou no pai e voltou. E obteve o perdão. Não é fácil caminhar na Lei do Senhor sem cair na rigidez”.

O Papa concluiu a homilia com esta oração:

“Peçamos ao Senhor, rezemos pelos nossos irmãos e as nossas irmãs que pensam que caminhar na Lei do Senhor significa se tornar rígidos. Que o Senhor lhes faça sentir que Ele é Pai e que Ele gosta de misericórdia, de ternura, de bondade, de mansidão e de humildade. E ensine todos a caminhar na Lei do Senhor com essas atitudes”.

sábado, 22 de outubro de 2016


São João Paulo II

(22 de Outubro)

Em Wadowice, Polônia, no dia 18 de Maio de 1920, nascia um menino branco como a neve, a cor da paz, herdou o nome do pai, Karol Josef Woltyla. Sua infância e juventude não foram tão livre quanto ele foi no seu interior.
Aos nove anos ficou órfão da mãe Emília; aos 11 anos perdera seu irmão Edmundo e aos 21 anos, morria também seu pai. O jovem das dores se tornou o líder do consolo. Gostava de teatro, música popular, literatura e ainda chegou a jogar futebol como goleiro num time da cidade. Porém, suas melhores defesas fora a favor da paz, das mulheres, dos jovens e dos pobres.

Em 01 de novembro de 1946, aos 26 anos, fora ordenado sacerdote católico pelo cardel-arcebispo da Cracóvia, Adam Stefan Sapieha. A partir daí começou sua história e ascensão religiosa, conforme a vontade de Deus. Doze anos mais tarde, foi nomeado Bispo Auxiliar da Crócavia, em 04 de Julho de 1958, e dois meses mais tarde Bispo, em 29 de Setembro. No dia 13 de Janeiro de 1964, fora nomeado Arcebispo da Crócavia.

Depois Woltyla participou do Concílio Vaticano II onde colaborou na redação de documentos importantíssimos para a história da Igreja Católica: o Dignitates Humanae (Declaração sobre a liberdade religiosa) e a Gaudium et Spes (Constituição Pastoral sobre a Igreja e o mundo de hoje). Até que, no dia 26 de Junho de 1967, o Papa Paulo IV nomeou Cardeal.

Aos 58 anos de vida, em 16 de outubro de 1978 foi eleito Papa pelo conclave, Sumo Pontífice da Igreja Católica, Una e Santa, adotando o nome de PAPA JOÃO PAULO II, e homenagem ao seu antecessor João Paulo I, que falecera de forma inesperada com 33 dias de Pontificado (o 11° mais curto da história).

João Paulo II foi eleito como o primeiro Papa Polonês e o primeiro não italiano em 455 anos desde Adriano VI (1522-1523). Liderou a Igreja por 26 anos e seis meses, o segundo mais longo Pontificado da história, atrás apenas do Pio IX.

O mais importante de tudo não são os dados históricos, mas os atos concretos que ele realizou ao longo do seu Pastoreio.

Homem de profunda oração e muito sábio, sempre procurou a paz e a unidade, foi o Papa que mais fez viagens apostólicas, percorrendo o mundo em busca de promover a paz. Foi o mensageiro mais ousado do século XX, suas realizações e escritos são pérolas preciosas. Foi o Papa mais popular da história. Pregou numa Igreja Luterana e numa Mesquita (em Damasco, Síria). Visitou o Muro das lamentações, em Jerusalém, pediu perdão dos erros que a “Igreja” cometeu no passado em sua história. 1


Com sua coragem criticou fortemente o Comunismo Soviético, na década de 80, a aproximação da Igreja com o Marxismo nos países em desenvolvimento, e a teologia da Libertação.

Foi um grande promotor da aproximação da Igreja Católica com várias outras religiões. Procurou a reconciliação com os judeus, em 2000. Amigo da Paz, foi motivado do diálogo inter-religioso e do ecumenismo com a Igreja Ortodoxa, separada desde o cisma de 1054.

Seu pontificado foi marcado como sendo ele um grande escritor. Além de artista-cantor. Ao todo, o riquíssimo depósito de formação espiritual, doutrinal e humana que nos deixou, contam com 14 encíclicas, 9 exortação apostólicas, além de outras cartas aos jovens, aos artistas, as mulheres, ás família, entre outros documentos, homilias e pronunciamentos. Mas nem tudo foram flores e alegrias em sua vida. O bom homem sofreu bastante com alguns incidentes e sua saúde. Aos 40 anos foi atropelado por um caminhão militar alemão, em Cracóvia e sofreu uma fratura no crânio. Em 13 de Maio de 1981, foi vítima de um atentado na Praça de São Pedro, por parte do turco Ali Agca, quando se recuperou deste fato que foi conhecido mundialmente ainda visitou o criminoso na cadeia e o perdoou. Foi internado outras vezes sofrendo por tumor do Cólon e da vesícula biliar; outra vez por que caiu e fraturou uma omoplata (1993) e depois fraturou o fêmur noutra queda (1994). Ainda mais, sofreu de apêndice (1996), artrose no joelho direito (2002). Como se não bastasse, o mundo viu que desde os anos 90, quando contava mais de 70 nos foi ainda atingido pelo mal de Parkinson.

O amigo de Deus, que lutava pela unidade e pela Paz, amava os jovens, as crianças, defendia o direito e a dignidade das mulheres e dos negros, zelava pela moral cristã, pastoreou a Igreja de Cristo com sua vida e sofreu o martírio incruento, dia após dia e nunca mais será esquecido na história da humanidade. Viveu o amor, foi amor!

As 21h37min, hora de Roma, no dia 02 de Abril de 2005, aos 84 anos (próximo de seu aniversário), o amado mensageiro expirou. Quando vi o noticiário, confesso senti como se tivesse falecido meu pai, um dos meus melhores amigos, tal o amor, respeito e admiração (que ainda tenho!) por este santo homem.

O processo de beatificação foi aberto em 28 de Junho de 2005 por seu sucessor e no dia 01 de Maio de 2011, poucos minutos antes das 10h00, o Papa Bento XVI proferiu a fórmula da beatificação, em latim, justificando o ato como um pedido «da diocese de Roma, de muitos outros irmãos no episcopado e muitos fiéis». João Paulo II, Papa, passou a ser chamado de Beato. As cerimônias começaram com o pedido de beatificação apresentado pelo cardeal Agostino Vallini, vigário-geral para a Diocese de Roma. Na sua alocução, o vigário traçou brevemente o perfil do Papa polaco, sublinhando a sua luta contra o regime nazista, entre 1940 e 1944.

A leitura da biografia, entrecortada pelas manifestações dos presentes, apresentou de João Paulo II como um papa capaz de «escutar e dialogar» não com os católicos, mas também com as «Igrejas cristãs», os «crentes no único Deus» [referência a judeus e muçulmanos] e os «homens de boa vontade», relatou a agência Ecclesia. Seguiu-se a colocação das relíquias – uma ampola com sangue de João Paulo II – junto ao altar, transportadas por duas religiosas, a irmã Tobiana, assistente pessoal e enfermeira do Papa polaco, e a religiosa Marie Simon-Pierre, cuja cura da doença de Parkinson, considerada miraculosa, encerrou o processo de beatificação em Janeiro.

O novo beato foi então proclamado, prosseguindo a missa na Praça de são Pedro. João Paulo II foi um verdadeiro profeta, um sábio doutor para a Igreja e o mundo todo, sem sombra de dúvida, pois com sua humildade e liderança levou a Igreja a beber o manancial da amizade eterna, fez acontecer por atos concretos à renovação da Igreja, a luz do Concílio Vaticano II. Entre suas mais significativas decisões posso citar algumas: aprovou o novo CDC (Código do Direito Canônico) pra a Igreja Latina (25/01/1983); aprovou os Códigos dos Cânones da Igreja Oriental (18/10/1990); declarou Santa Teresinha do Menino Jesus, a 33ª Doutora da Igreja (19/10/1997); determinou a devolução do Ícone de “Nossa Senhora do Kasan”, a “Theotokos” (Mãe de Deus),2 à Igreja Ortodoxa Russa (28/08/2004); aprovou o novo CIC (Catecismo da Igreja Católica) em 07/12/1992; entre outras inúmeras decisões importantes.

Por nove anos aguardamos sua canonização. Porém, hoje noVaticano, 27 de abril de 2014, a atual Papa Francisco dá um presente histórico para a Igreja de Cristo que ganha um novo capítulo com as canonizações dos dois Papas: João Paulo II e João XXIII, outro homem venerável.

O Cardeal Vallini3 enfatizou a verdadeira dimensão deste grande evento: “É essencialmente uma mensagem espiritual, porque é a festa da santidade. A relação que João XXIII e João Paulo II tiveram com a Igreja de Roma, da qual eram bispos, é uma relação muito profunda, começando pelo estilo com o qual eles exerceram seu ministério, um estilo de proximidade, acolhimento e atenção para com as pessoas”, destacou o Vigário do Papa para a Diocese de Roma.

É realmente um ato extraordinário da Igreja. A missa de canonização terá início às 10 horas (5h em Brasília), presidida pelo Papa Francisco e concelebrada por elevado número de cardeais e centenas de bispos. Cinco mil os padres que terão lugar assegurado. Dá-se como certo que será convidado o Papa emérito, mas falta saber se participará. No domingo de tarde, os peregrinos poderão venerar os dois novos santos, desfilando em oração junto dos túmulos situados sob dois altares da basílica de São Pedro.

O novo Santo ganhou ainda mais um lindo presente em memória, no dia 07 de Abril de 2014, foi inaugurado um museu na casa onde ele nasceu em Wadowice (sul da Polônia). Uma nova exposição modernizada e equipada com inúmeras instalações multimídia.

Gostaria de redigir aqui seus mais importantes pronunciamentos, mas creio eu que um livro inteiro ainda é pouco para isso, ainda assim eu ouso a deixar algumas singelas e significativas frases suas:

O cristão que participa da Eucaristia aprende dela a fazer-se promotor de comunhão, de paz, de solidariedade, em todas as circunstancias da vida.”

“O santo é o testemunho mais esplendido da dignidade conferida ao discípulo de Cristo (…) Hoje, como nunca, urge que todos os cristãos retomem o caminho da renovação evangélica, acolhendo com generosidade o convite apostólico de ser santo em todas as ações”.4

“Verdadeiramente o Espírito santo é o protagonista de toda a missão eclesial (…) por sua ação de Boa-Nova ganha corpo nas consciências e nos corações humanos, se expandido na história. Em tudo isso, é o Espírito santo que da a vida”5

“A família é a via da família (…) Um dos campos onde a família é insubstituível, é certamente o da educação religiosa, graças a qual a família cresce como <<igreja domestica>>”.6

“(…) Quem tiver notado em si mesmo esta espécie de centelha divina que é a vocação artística e peta, escritor, pintor, escultor, arquiteto, músico, ator… – adverte ao mesmo tempo a obrigação de não desperdiçar este talento, mas de desenvolver para colocá-lo a serviço o próximo e de toda a humanidade”.7

João Paulo II, amigo de Cristo, amigo dos amigos de Nossa Senhora, mãe de Deus, amigo dos “inimigos” da Igreja, amigo do povo de Deus, amigo da unidade e da Paz… Rogai por nós!

Fonte: Paraclitus




sexta-feira, 21 de outubro de 2016


Papa aos Agostinianos: sejam criadores de comunhão na misericórdia


Papa com os Agostinianos Recoletos, nesta quinta-feira - OSS_ROM
20/10/2016 13:00

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Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira (20/10), na Sala Clementina, no Vaticano, os sessenta participantes do 55º Capítulo Geral da Ordem dos Agostinianos Recoletos. 


O Pontífice deu as boas-vindas aos presentes e destacou o lema deste capítulo, uma frase que saiu do fundo do coração de Santo Agostinho: “Toda a nossa esperança está na grandeza da Tua misericórdia. Dai-me o que me ordenas e ordena-me o que quiserdes.”

“Esta invocação nos leva a ser homens de esperança, ou seja, com horizontes, capazes de colocar toda a nossa confiança na misericórdia de Deus, conscientes de que somos incapazes de enfrentar sozinhos com as nossas forças os desafios que o Senhor nos apresenta. Somos pequenos e indignos, porém em Deus está a nossa segurança e alegria. Ele nunca decepciona. É o único que nos leva por caminhos misteriosos com amor de Pai.”

O Papa Francisco destacou que este Capítulo Geral dos Agostinianos Recoletos “quis rever e colocar diante de Deus a vida da Ordem, com seus anseios e desafios para que o Senhor lhes dê luz e esperança. Para buscar a renovação e impulso é necessário voltar-se para Deus e pedir-lhe o novo mandamento que Jesus nos deu: ‘Amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês’. Pedimos o seu amor para que sejamos capazes de amar”. 

“Olhamos ao passado e damos graças por tantos dons recebidos. Fazemos esta viagem histórica segurando na mão do Senhor, pois é Ele quem nos dá a chave para interpretá-la. Não se trata de fazer história, mas descobrir a presença do Senhor em cada acontecimento, em cada etapa da vida. O passado nos ajuda a voltar ao carisma e saboreá-lo com todo o seu frescor e integridade. Ele também nos dá a possibilidade de analisar as dificuldades que surgiram e como foram superadas a fim de enfrentar os desafios atuais, olhando para o futuro. Este caminho, junto com Jesus, se tornará uma oração de ação de graças e purificação interior.”

O Papa disse ainda que quando o Senhor está no centro de nossa vida tudo é possível e convidou os Agostinianos Recoletos a serem "criadores de comunhão". 

“Somos chamados a criar, com a nossa presença no mundo, uma sociedade capaz de reconhecer a dignidade de cada pessoa e compartilhar o dom que cada um é para o outro. Com o nosso testemunho de comunidade viva e aberta que o Senhor nos ordena, através do sopro do seu Espírito, podemos atender às necessidades de cada pessoa com o mesmo amor com que Deus nos amou. Este é o poder que levamos, não os nossos próprios ideais e projetos; mas a força de sua misericórdia, que transforma e dá vida.”

O Papa convidou os religiosos prosseguirem com espírito renovado o sonho de Santo Agostinho: viver como irmãos “com um só coração e uma só alma” que reflete o ideal dos primeiros cristãos e que eles sejam profecia viva de comunhão neste mundo, para que não haja divisão, conflito e exclusão, mas que reine a concórdia e se promova o diálogo”. 

(MJ)
Papa: quando as crianças são acolhidas e tuteladas a sociedade melhora


Papa durante visita ao Santuário Nacional de Aparecida, em 2013 - AFP
20/10/2016 12:18

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Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco enviou uma carta, no último dia 12, ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, dia da Padroeira do Brasil e Dia da Criança. 

“Somos capazes de estar com as crianças, de perder tempo com elas? Sabemos escutá-las, defendê-las e rezar por elas e com elas? Ou as transcuramos nos ocupando de nossos interesses?", pergunta Francisco na mensagem enviada por ocasião da Semana Nacional da Infância no Brasil, lida pelo Arcebispo de Aparecida, Cardeal Raymundo Damasceno Assis, durante a celebração eucarística que abriu, no santuário dedicado à Rainha do Brasil, o Jubileu dos trezentos anos da descoberta da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul.

Reiterando seu apoio à campanha nacional de Combate ao Trabalho Infantil que se concluiu no último domingo, o Papa recorda que a Semana da Infância, organizada pelo santuário em colaboração com os Tribunais Regionais do Trabalho e a Procuradoria Geral do Trabalho do Estado São Paulo, “tem o objetivo de promover a erradicação do trabalho infantil e oferecer às crianças uma educação de qualidade que lhes garanta um futuro melhor”. 

O Papa afirma na missiva que mantem vivo em seu coração a cerimônia de inauguração, em 3 de setembro passado, nos Jardins Vaticanos, do monumento dedicado à Nossa Senhora Aparecida. 

Voltando a falar sobre a campanha no Brasil o pontífice afirma que "as crianças são um sinal de esperança e um sinal indicador para entender o estado de saúde de uma família, de uma sociedade, e do mundo inteiro. 

“Quando as crianças são acolhidas, amadas, protegidas e tuteladas por uma família sábia, a sociedade melhora e o mundo é mais humano. Por isso devemos renovar sempre o nosso desejo de acolher mais e melhor as crianças", sublinha o Papa Francisco na mensagem.

A carta termina com a esperança de que a campanha de Combate ao Trabalho Infantil possa "frutificar em seus propósitos". Por isso, o Papa invoca a luz do Espírito Santo para que ilumine todos os participantes da iniciativa e através da intercessão de Nossa Senhora Aparecida concede a sua benção apostólica a todos. 

(MJ)

terça-feira, 18 de outubro de 2016


Papa: sementes dos mártires enchem a terra de novos cristãos


Papa durante a celebração matutina - OSS_ROM
18/10/2016 10:26

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Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco presidiu a missa na Capela de sua residência, a Casa Santa Marta, na manhã desta terça-feira, (18/10).


Na homilia, comentando a Segunda Carta a Timóteo, o Papa dissertou sobre o destino dos apóstolos que, como São Paulo na fase conclusiva de sua vida, vivem na solidão e enfrentam dificuldades: 

“Sozinho, mendicante, vitima de assédio, abandonado... mas é o grande Paulo, o que ouviu a voz do Senhor, o chamado do Senhor! Aquele que foi de um lugar para o outro, que sofreu tanto e passou por diversas provações para pregar o Evangelho; o que fez entender aos apóstolos que o Senhor queria que os Gentis também entrassem na Igreja, o grande Paulo que na oração subiu até o Sétimo Céu e ouviu coisas que ninguém ouvira antes: o grande Paulo, naquele quartinho de uma casa em Roma, esperando esta luta entre a rigidez dos tradicionalistas e os discípulos fiéis a ele acabar dentro da Igreja. E assim, termina a vida do grande Paulo, na desolação: não no ressentimento e na amargura, mas com a desolação interior”.



Fidelidade

Assim aconteceu com Pedro e com o grande João Batista, que “na cela, sozinho e angustiado”, manda seus discípulos perguntar a Jesus se é ele o Messias e termina com a cabeça cortada “por causa do capricho de uma bailarina e da vingança de uma adúltera”. O mesmo aconteceu com Maximiliano Kolbe, “que fez um movimento apostólico em todo o mundo e muitas coisas grandes” e morreu na cela de um campo de concentração.

“O apóstolo, quando é fiel – sublinha o Papa – não espera outro fim senão o de Jesus”. Mas o Senhor permanece próximo, “não o deixa sozinho e ali encontra a sua força”.

Mártires

“Morrer como mártires, como testemunhas de Jesus é a semente que morre e dá fruto e enche a terra de novos cristãos. Quando o pastor vive assim, não fica amargurado: talvez se sinta desolado, mas tem aquela certeza de que o Senhor está ao seu lado. Quando o pastor em sua vida se ocupou de outras coisas que não dos fiéis – por exemplo, apegado ao poder, apegado ao dinheiro, apegado aos centros de poder, apegado a tantas coisas – no final, não estará só, talvez haja os netos que aguardarão que morra para ver o que poderão levar com eles”.

O Papa Francisco conclui assim a sua homilia:

“Quando eu visito o asilo dos sacerdotes idosos, encontro muitos daqueles bons, bons, que deram a vida pelos fiéis. E estão ali, doentes, paralíticos, na cadeira de rodas, mas logo se vê aquele sorriso. ‘Está bem, Senhor; está bem, Senhor, porque sentem o Senhor muito próximo a eles. E também aqueles olhos brilhantes que têm e perguntam: ‘Como está a Igreja? Como está a diocese? Como estão as vocações?’. Até o fim, porque são padres, porque deram a vida pelos outros. Voltemos a Paulo. Só, mendicante, vítima de assédio, abandonado por todos, menos que pelo Senhor Jesus: ‘Somente o Senhor está próximo de mim!’. E o Bom Pastor, o pastor deve ter esta segurança: se ele vai pelo caminho de Jesus, o Senhor lhe estará próximo até o fim. Rezemos pelos pastores que estão no final de suas vidas e que estão aguardando que o Senhor os leve com Ele. E rezemos para que o Senhor lhes dê a força, a consolação e a segurança que, embora se sintam doentes e também sozinhos, o Senhor está com eles, perto deles. Que o Senhor lhes dê a força”. 

(CM/BF)

terça-feira, 11 de outubro de 2016